Muitas questões bioéticas têm pertinência direta com a perspetiva de género envolvida na sua discussão e solução. Palavras como geração, gestação, amamentação, não designam evidentemente puros fatos biológicos, mas hoje em dia envolvem crescentemente possibilidades técnicas, opções sociais e individuais, estratégias económicas, orientações culturais e axiológicas em que o papel atribuído ao feminino resulta extremamente significativo. Ciência, ética, política e religião cruzam-se por isso hoje na noção de feminino de forma inédita e desafiadora, numa interdependência que é preciso discutir, explorar, refletir, conjugando fidelidade à verdade da tradição, respeito incondicionado da dignidade humana e abertura profética à novidade.